No Carnaval 2026, algumas músicas se destacam não apenas por animar blocos e ensaios, mas por permanecerem na mente do público mesmo depois que o som para. Hits como "Jet-Ski", de Pedro Sampaio com Melody, e faixas recentes da Anitta, que dominam trios, playlists e vídeos nas redes sociais nesta temporada, exemplificam o fenômeno das chamadas músicas chicletes, aquelas que grudam na cabeça e se repetem mentalmente ao longo do dia.
Segundo a DJ Scheila Santos, o efeito não é acaso nem apenas empolgação do público. Ela explica que essas músicas seguem uma lógica específica de construção sonora. "O refrão é curto, fácil de cantar e aparece muitas vezes ao longo da música. Quando isso se junta à repetição intensa do Carnaval, o cérebro entende aquele som como parte da experiência emocional da festa", afirma.
A especialista aponta que, no período carnavalesco, a exposição é ainda mais intensa. A mesma música é ouvida no bloco, no carro, nos stories, nos ensaios e nas playlists de treino e festa. "Você escuta o mesmo trecho dezenas de vezes em contextos diferentes. Isso cria uma associação automática entre a música e a sensação de alegria, liberdade e pertencimento", explica.
No caso de "Jet-Ski", por exemplo, o ritmo acelerado, a batida marcada e o refrão repetitivo favorecem esse efeito. Já as músicas de Anitta que circulam neste Carnaval apostam em frases simples e ganchos fáceis, pensados para serem cantados em coro. "São músicas feitas para funcionar rápido, para todo mundo pegar na primeira ou segunda vez", diz Scheila.
Ela destaca que o cérebro tende a 'travar' esse tipo de som como lembrança do momento vivido. "Mesmo quando a música para de tocar, o cérebro continua repetindo o refrão como se estivesse revivendo a cena. É por isso que, depois do Carnaval, essas músicas acabam virando a trilha sonora da memória coletiva da festa", conclui.
Fonte: CACAU OLIVER





