Você sabe por que as músicas chicletes do Carnaval não saem da cabeça?

29 de janeiro de 2026, 11h54, por Amanda Ramalho

No Carnaval 2026, algumas músicas se destacam não apenas por animar blocos e ensaios, mas por permanecerem na mente do público mesmo depois que o som para. Hits como "Jet-Ski", de Pedro Sampaio com Melody, e faixas recentes da Anitta, que dominam trios, playlists e vídeos nas redes sociais nesta temporada, exemplificam o fenômeno das chamadas músicas chicletes, aquelas que grudam na cabeça e se repetem mentalmente ao longo do dia.

Segundo a DJ Scheila Santos, o efeito não é acaso nem apenas empolgação do público. Ela explica que essas músicas seguem uma lógica específica de construção sonora. "O refrão é curto, fácil de cantar e aparece muitas vezes ao longo da música. Quando isso se junta à repetição intensa do Carnaval, o cérebro entende aquele som como parte da experiência emocional da festa", afirma.

A especialista aponta que, no período carnavalesco, a exposição é ainda mais intensa. A mesma música é ouvida no bloco, no carro, nos stories, nos ensaios e nas playlists de treino e festa. "Você escuta o mesmo trecho dezenas de vezes em contextos diferentes. Isso cria uma associação automática entre a música e a sensação de alegria, liberdade e pertencimento", explica.

No caso de "Jet-Ski", por exemplo, o ritmo acelerado, a batida marcada e o refrão repetitivo favorecem esse efeito. Já as músicas de Anitta que circulam neste Carnaval apostam em frases simples e ganchos fáceis, pensados para serem cantados em coro. "São músicas feitas para funcionar rápido, para todo mundo pegar na primeira ou segunda vez", diz Scheila.

Ela destaca que o cérebro tende a 'travar' esse tipo de som como lembrança do momento vivido. "Mesmo quando a música para de tocar, o cérebro continua repetindo o refrão como se estivesse revivendo a cena. É por isso que, depois do Carnaval, essas músicas acabam virando a trilha sonora da memória coletiva da festa", conclui.

Fonte: CACAU OLIVER