Região se mobiliza em ação de saúde pública para prevenir avanço da dengue

23 de janeiro de 2026, 12h31, por Amanda Ramalho

No último ano, São José do Rio Preto tornou-se epicentro nacional da dengue, com mais de 50 mil casos confirmados e cerca de 40 óbitos, atingindo incidência superior a 3 mil casos por 100 mil habitantes, a maior do país. O avanço acelerado da doença levou ao colapso do sistema de saúde e à decretação de emergência, com impactos que extrapolaram a área assistencial e afetaram o funcionamento da cidade, a economia e a rotina da população. Esse histórico recente reforça a necessidade de ações estruturadas, contínuas e baseadas em prevenção.

Diante do cenário epidemiológico registrado em 2025 e das projeções que indicam risco elevado de nova crise em 2026, a Unimed São José do Rio Preto lança a campanha de saúde pública "Unimed em Guerra contra a Dengue", uma mobilização preventiva voltada ao engajamento da população no enfrentamento ao mosquito transmissor da doença.

Como a maior operadora de saúde da região, a cooperativa atua movida pela responsabilidade com a saúde da população e pela compreensão de que a dengue não é um problema pontual, mas um desafio permanente de saúde pública. A campanha nasce com o objetivo de agir de forma preventiva, antes do agravamento do quadro, estimulando mudanças de comportamento e ampliando a consciência coletiva sobre o papel de cada cidadão na proteção da própria saúde e da comunidade.

Segundo o presidente da Unimed Rio Preto, Dr. Marcelo Lúcio de Lima, a iniciativa é uma resposta direta ao cenário vivido recentemente pela região. "Os números mostram que a dengue deixou de ser um problema pontual e passou a representar um risco real para a saúde da população. Diante disso, entendemos que a prevenção precisa ser tratada como prioridade de saúde pública, com informação, mobilização e participação ativa da sociedade. Cada atitude conta, e é dentro das casas que essa prevenção começa", afirma.

O conceito da campanha se baseia em uma metáfora clara e intencional: a dengue, no contexto vivido por Rio Preto e região, se comporta como uma guerra. O mote "cada casa é uma trincheira" reforça que a maior parte dos focos do mosquito Aedes aegypti está nos ambientes domésticos, quintais, calhas, ralos, vasos, caixas d’água e recipientes que acumulam água, e que é nesses espaços que a prevenção precisa acontecer.

Ao adotar esse conceito, a campanha coloca a população como protagonista do enfrentamento. Com medidas simples, realizadas de forma regular, é possível eliminar criadouros e interromper o ciclo de transmissão do vírus, reforçando que o impacto coletivo depende da soma de atitudes individuais.

A mobilização é liderada pela Unimed Rio Preto e envolve cerca de 1.600 médicos cooperados, de diferentes especialidades, que atuam como multiplicadores das orientações de prevenção no contato direto com pacientes e familiares. A campanha conta com uma estratégia de comunicação ampla e contínua, com presença em mídia tradicional, digital e canais diretos de relacionamento. Aproximadamente 411 mil clientes da Unimed receberão mensagens por SMS, WhatsApp e e-mail marketing, com orientações práticas sobre o cuidado com quintais e a eliminação de focos do mosquito transmissor da dengue.

Sinal de alerta

Estudos epidemiológicos conduzidos por instituições como a Fiocruz, em parceria com a FGV, Famerp e dados do Ministério da Saúde apontam que 2026 pode representar um novo ciclo crítico da dengue no Brasil. Entre os principais fatores de preocupação está a circulação do sorotipo DENV-3, ausente do país por mais de uma década e que voltou a se espalhar a partir de 2024. Grande parte da população não possui imunidade prévia a esse sorotipo, o que aumenta a vulnerabilidade coletiva e o risco de formas mais graves da doença. Soma-se a esse cenário o padrão cíclico das epidemias e os efeitos das mudanças climáticas, com períodos prolongados de calor e chuvas irregulares, que favorecem a proliferação do mosquito.

Esse conjunto de fatores fundamenta a decisão da Unimed de lançar a campanha e reforça que a prevenção ambiental, a informação qualificada e a mobilização social contínua são, neste momento, as ferramentas mais eficazes para conter o avanço da doença e proteger a população.

Fonte: Comunic