No ano em que completaria 83 anos, biografia de Janis Joplin é relançada no Brasil

07 de janeiro de 2026, 14h17, por Amanda Ramalho

O peso na letra unida à rouquidão e a emoção na voz de Janis Joplin dão o tom da carreira da maior e mais influente cantora de rock da história. Mas, por trás da figura mítica da artista, há uma vida carregada de transgressões, quebras de paradigmas, frustrações amorosas e dissabores familiares. É o que conta Holly George-Warren, jornalista e uma das mais respeitadas cronistas da história da música norte-americana em "Janis Joplin: Sua Vida, Sua Música", biografia lançada originalmente no Brasil pela Editora Cultrix em 2020, mas que será relançada para nos fazer rememorar sua trajetória, momento no qual se comemora o que seriam seus 83 anos de vida em 19 de janeiro.

Para relatar a vida da cantora, Holly George-Warren, que também é especialista em biografias de rock, recorreu a familiares, amigos, colegas de banda, pesquisou arquivos, diários, cartas e entrevistas há muito perdidas. Ela fez, sobretudo, um perfil minucioso detalhando os passos de Janis até a overdose acidental de heroína, que lhe ceifou a vida em 4 de outubro de 1970.

Por meio de um estilo radiante e intimista, o livro consolida a figura de Janis como vanguardista musical. Uma mulher rebelde, dona de grande astúcia e personalidade complexa, que rompeu regras e desafiou todas as convenções de gênero em sua época, abrindo caminho para as mulheres poderem extravasar suas dores e revolta no cenário artístico sem serem tão oprimidas pelo universo machista existente no meio musical. 

Janis se notabilizou com o rock, mas transitava com facilidade por outros ritmos, como blues, o soul e o folk-rock. Sua carreira solo teve poucos anos de existência, mas foi capaz de notabilizar canções como "Mercedes Benz", "Get It While You Can" e "Me and Bobby McGee", entre tantas outras.

Confira um trecho da obra: 

"Quando Janis subiu ao palco de Monterey, em junho de 1967, pouca gente fora de San Francisco sabia seu nome. "Qual é a dessa garota?”, perguntou-se Lou Adler, um dos produtores do festival. "De onde ela saiu, com esse visual e liderando uma banda só de homens?" [...] A impressionante performance de Janis naquele dia iria mudar sua vida – e o futuro da música popular. Quando a apresentação de cinco músicas chegou ao fim, com sua dramática reinvenção de "Ball and Chain", da cantora de R&B1/blues Willie Mae Thornton, milhares de fãs alucinados – e centenas de jornalistas atordoados – sabiam seu nome e espalharam entusiasmados a novidade. O estilo vocal carregado de emoção foi incorporado por outros cantores que surgiam; entre eles, Robert Plant, do Led Zeppelin. As garotas que a viram no palco no Avalon Ballroom ou no Fillmore, casa de show de Bill Graham, ainda se recordam da experiência: era como se Janis cantasse para elas, contasse as histórias delas, sentisse a dor delas, enchendo-as de coragem e absolvendo-as de culpa. Janis era como um nervo exposto, trazendo à tona sentimentos que a maioria das pessoas não conseguiria ou não gostaria de trazer, e estava disposta a arcar com as consequências disso", Holly George-Warren.

Ouvir músicas da Janis Joplin

Fonte: Aspas e Vírgulas