__ Vou lhes contar de um buchincho no velho Rincão Comprido!
Não! Não é a Bailanta do Tibúrcio, mas é um fato assucedido.
Prendas lindas, viúvas acesa querendo arranjá marido.
Paguei a entrada e entrei. Corri o zóio na sala.
Vi a linda que eu queria perto de um índio de pala.
Pensei: "Eu nunca perdi na raia pra frango da tua iguala."
E o gaiteiro, mui vaqueando me disse: (?), cante um bocado!
Era bem isso que eu queria. Não me parei de rogado.
Pode carcá uma vaneira e bailar com os pé trocado, tchê!

Eu nasci de queixo duro, ninguém me quebra o corincho
Gosto muito de bochincho que se baila no escuro
Na sola da bota um furo de tanto arrastar o pé
Nunca canta galizé em terreiro de galo puro

Não me gusto disse ele, touro brabo se boleia
A cascavel bate o guizo, pelincho se balanceia
Lagarto não tem pestana e Zorro não tem sobrancelha

E se bandeando ele aí veio bufando e dando pataço
Um facão marca formiga, o pala ao redor do braço
Mais parecia um corisco na noite cortando espaço

Ali no mais dei um grito, te arrebanga piá lacaio
O gato por ser ligeiro, salta de lombo e soslaio
E quem quiser guabijú que venha sacudir o galho

Saímos trançando ferro como touro num pelado
Eu venho lá das missões, no mundo eu não fui domado
Espatifei um canzil nas aspas do desgraçado

E dalí saí bufando como um touro jaguané
A vaca mansa dá leite, a braba dá quando quer
O cabo da adága é minha e a folha é de quem quiser

E a prenda linda (?)
Montei ela no meu zaino, do corpo senti o calor
E me fui a galopito junto a linda meu amor
Pr'aquele jardim florido, onde pousa o beija-flor


compositores: Pedro Ortaça
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